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ROMEU E JULIETA SEM DESTINO

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DESCRIÇÃO

William Shakespeare condenou Romeu e Julieta a um amor impossível. Agora, os dois jovens dizem “basta”. Depois de vários séculos de obediência, Romeu e Julieta revoltam-se contra o autor que lhes deu vida e forçam uma viragem na sua história.

 

Os dois protagonistas iniciam uma viagem de fuga ao destino que lhes foi traçado; questionam as opções do respetivo autor; e empreendem a aventura de construir o próprio destino.

 

O espetáculo constrói uma nova narrativa para Romeu e Julieta, a história que eles agora escolhem viver.

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FICHA TÉCNICA

Criação: Carlos Alves e Sofia Dias

Assessoria Artística: Caroline Bergeron

Fotografia: Manuel Ruas Moreira

Produção: CCB/ Fábrica das Artes

Parceria: Escola Superior de Teatro e Cinema

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NOTAS SOBRE O ESPETÁCULO

Estreou em Maio de 2019, no Centro Cultural de Belém.

NOTAS SOBRE UM PROCESSO DE CRIAÇÃO

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“Romeu e Julieta”, um texto já revisitado milhares de vezes, duas personagens cansadas do seu final trágico escolhem ter outro destino. Esta foi a premissa para criar Romeu e Julieta Sem Destino.

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Quando decidimos partir para o universo do “Romeu e Julieta”, sabíamos que estávamos a entrar num texto profundamente enraízado no imaginário colectivo. A responsabilidade que lidar com esse texto exigia, levou-nos a mergulhar na estrutura e na dramaturgia do próprio texto. Era importante ter um conhecimento meticuloso da obra para poder criar a partir dela.

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A nossa ideia era olhar para a peça original como uma programação que nós queríamos desconfigurar. Assim, passámos longos meses em volta do texto, lendo e relendo, construindo esquemas, resumos, sínteses, caracterizando personagens. Foi este foco no texto que nos deu as soluções cénicas de que andávamos à procura. Na maior parte das vezes, foram uma fala de uma personagem, uma cena ou um qualquer momento da peça que alimentaram a criação do nosso próprio texto. E, porque queríamos trabalhar essa ideia de programação, era importante usar a linguagem shakespeariana.

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Desde logo, colocámo-nos a responsabilidade de não adulterar a história, de modo a que pudéssemos brincar com ela e, ao mesmo tempo, que ela fosse compreendida. Esta foi sempre uma preocupação nossa, ao longo da criação. Essa preocupação aumentou ainda pelo facto de estarmos a trabalhar para um público jovem. Foi por isso que encontrámos a solução cenográfica de escrever no chão os momentos chave que acontecem ao longo do “Romeu e Julieta” do Shakespeare. Ao mesmo tempo que queríamos falar de liberdade na escolha, procurámos também apresentar uma história, respeitando uma estrutura.

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Para isto, o dispositivo cénico foi um elemento decisivo, pela forma como condicionava o tempo, o espaço e a nós próprios, os intérpretes. Aquele, ao mesmo tempo que criava um espaço poético e imaginário de uma linha de tempo e de destino, actuava como limitador da acção. A corda elástica que atravessava a sala, em diagonal, e à qual estávamos sempre presos, passou a ser um elemento de contracena, obrigando-nos a lidar com a especificidade de estarmos amarrados. Ao longo do processo, impusemo-nos sempre uma limitação, tanto no texto como no dispositivo cénico. E usámos essa limitação para falar de liberdade e da possibilidade de escolha.

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A proximidade etária, não dos actores mas das personagens, com o público pareceu-nos ser um factor a explorar. A urgência, os anseios de liberdade, as dúvidas, o “sangue a ferver”, a paixão são estados que brotam na adolescência para a idade adulta. A incompreensão, os conflitos com os mais velhos, mas também o apoio desses, são igualmente situações com que os jovens se deparam e conhecem. Os pais de Julieta, o Frei Lourenço e a Ama são bem representantes disso e, por isso, quisemos que aparecessem no espectáculo, ainda que surgidos do corpo e da voz de Romeu e Julieta. Como se a sua presença fosse proporcionada pela visão que os dois jovens tinham deles.

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As duas personagens estão presas a uma linha do tempo sem tempo. A cronologia programada a que estão sujeitos não carece de tempo histórico definido, ela pode manifestar-se em qualquer época e repete-se sempre. Isto é sugerido pelas várias cenas de diferentes filmes que aparecem projectados no início e é-o também pela escolha do guarda roupa. O tempo em que o Romeu e a Julieta pode, afinal, ser o mesmo em que os espectadores assistem.

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Carlos Alves e Sofia Dias, 2019

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